Jun 23, 2012

Frustração

A frustração é, a meu ver, um dos piores sentimentos que um ser humano pode experimentar.
Ela corrói por dentro e mistura impotência com ansiedade, uma castração terrível e que funciona num nível visceral.
Enche-me a boca com o sabor do sangue, faz-me palpitar o coração e tenho um enorme buraco no estômago, é terrível. Terrível.

Jun 21, 2012

A Troca


A pleura é uma fina membrana dupla que reveste os pulmões, e que, através da qual se dá a troca gasosa, expelindo o dióxido de carbono e o vapor de água em cada expiração, e recebendo o oxigénio necessário para viver, a cada respiração.
Já num anterior post meu, referi-me aos relacionamentos interpessoais e aos intervenientes como sendo telas onde nós pintamos e somos pintados pelas pessoas que passam pela nossa vida e nós pelas vidas delas.
As trocas são essenciais para sobreviver. Sem trocas existe o quase vazio. Digo quase vazio porque temos sempre a nós próprios.
Mas trocas são também focos de tensão e de pressão. Trocar é um exercício que envolve risco e que por vezes pode nos amedrontar de tal forma que evitamos a todo o custo trocar.
Nas trocas recebemos ar novo através do prazer da partilha da companhia e da essência. Nas trocas deitamos fora aquilo que não presta e que não interessa, se o outro lado da pleura for sensível e digno de confiança.
Trocar alarga os nossos horizontes e leva-nos a lugares onde nunca estivemos e nem nunca pensámos ser possível existirem.
Mas trocas doentes ou insuficientes e contaminadas podem trazer-nos enfermidades. Trocas mal feitas podem fazer de nós pessoas desconfiadas, com o coração endurecido e afastadas, sem ter coragem de voltar a assumir compromissos.
É bom trocar. É bom relacionar.

Jun 20, 2012

Silêncio

Só o silêncio pode acalmar o meu coração.
Como deitar numa banheira e colocar os ouvidos dentro de água e só ficar naquele mundo mágico da inexistência de sons.
Abafar todos os gritos que ecoam na minha mente, todas as vozes que me querem enlouquecer.
Fazer uma pausa deste mundo e de mim. Mergulhar no mais profundo silêncio.

May 19, 2012

Esta noite o sono fugiu

Esta noite o sono teima em não aparecer. Nem o suave som da chuva que decidiu aparecer foi suficiente para me acalmar. Teimosamente a cabeça não pára e insiste em levar-me para a inquietude de pensamentos que se atropelam. Estou cansado mas não consigo dormir. Languidamente atiro o olhar de encontro aos livros que tenho em frente de mim e a mente pára apressadamente para novamente abrir um pacote de imagens mentais que me transportam para os meus receios e recordações, juntando num só momento o passado, o presente e o futuro, fazendo conjecturas e reavaliando o que tem sido a minha vida. Devem ser apenas os devaneios deste corpo cansado que não se entrega, não desiste....

Mar 5, 2012

Nameless

Olho para dentro de mim e afogo as palavras que teimam em querer sair. Não permito que seja encontrado pelos que se distraem com tudo e com todos. Obrigo-me a tolerar a dor, sei que posso. Mas dói. Dói muito. mas eu consigo. Tenho de conseguir. Monto e desmonto todos os cenários, enquanto dou vida e morte a personagens reais e fictícias. Luto com o desejo, com o pode e não deve ser. Procuro manter a cabeça fora de água. E a cabeça que não pára.

Feb 6, 2012

Relacionar...

Fico a pensar que realmente a autoridade, ela vem quando as pessoas reconhecem em nós a prática daquilo que falamos, ou seja, que fazemos aquilo que dizemos. Chegar ao fim destes anos todos e perceber que não importa o quanto tu te esforces e te derretas em função daquilo em que acreditas, vais ter sempre que provar perante alguém que afinal tu tens autoridade sobre determinado assunto ou situação. Vais ter sempre que justificar-te e arranjar argumentos que comprovem que afinal tu deste cabo do cabedal e foste onde mais ninguém quis ir e fizeste o que poucos quiseram fazer e quase nenhum faz neste momento.
Sinceramente, chegar a esta altura e ainda precisar justificar a minha hierarquia de prioridades dentro de contextos Família/Trabalho/Crenças, é de facto um pouco... irritante e frustrante. Bolas, nunca mais me mentalizo que somos todos diferentes uns dos outros e vemos a mesma coisa de formas diferentes. É que às vezes penso que todos estão a ver o que eu vejo.