Nov 21, 2013

Nonsense?

Nonsense é chover no molhado.
Nonsense é querer muito que um limoeiro dê laranjas.
É vez após vez abrir a ferida que dói.
Nonsense é não deixar cicatrizar,
é não fugir desalmadamente.
Nonsense é insistir.
É insistir muito,
insistir demais.
Nonsense é acreditar que é possível...
Nonsense é este texto,
este desabafo meu.
Nonsense é queixar-me,
é falar e não calar.

Oct 25, 2013

Resto-me eu

É o sentir. Um emaranhado que não tem fim.
Conheço a sua origem. Agride-me. Violenta-me.
Dou voz de ordem ao pensamento mas impera a rebeldia emocional.
Procuro desesperadamente o botão que desliga esta dor mas não encontro. Como farei?
O travo amargo na boca revela o sentir. A constante moínha que dói fundo na cabeça.
Nada faz sentido. Sinto-me de novo desamparado.
Como a ressaca da onda, que volta depois de partir na praia, resta-me voltar ao local de partida.
Esforço-me por conter as lágrimas. procuro pensar nos bons momentos, mas... Não consigo.
Não consigo ver.
Resto-me eu.
Como sempre foi.
Como sempre será.

Sep 27, 2013

Lugar Comum

Novamente neste lugar comum, a chuva.
Lugar comum para pensar, reflectir, mas é também sobretudo lugar de dor, de recordações.
Chuva que desperta bem fundo esta vontade de voar.
Chuva que em mim projecta a reflexão sobre o sentido das coisas.
Chuva que me faz sonhar sobre o que é e o que poderia ser.
Chuva que acalma o coração.
Chuva que desperta o animal em mim.
A água que teima em cair, não molha somente o meu corpo,
ela molha a alma também.
É fria. Devia ser desconfortável... Mas não é.
Assim encontra o interior meu, assim frio e desconfortável...
Assim confuso e amedrontado.
Assim neste lugar comum estou, à chuva, com a chuva, minha companheira.

Jan 31, 2013

Gemido contido


A chuva cai e é fria. Ela encharca-me a roupa e deixa-me ensopado. Tenho frio... A roupa encharcada incomoda e limita os meus movimentos. Aqui e ali o vento sopra forte e arremessa as grossas gotas de água contra mim, batendo com agressividade no meu rosto. Fecho os olhos e penso em tudo o que me está a acontecer... O frio é intenso... Tenho dificuldade em me concentrar. O vento aumentou a sua intensidade e agora as gotas de água que se lançam contra mim e me fustigam, magoam-me o rosto, mas não me consigo mover. Não me quero mover. Esta água... este frio... Fico de pé e abro os braços ao mesmo tempo que me viro para o vento. Recebo todo o seu poder de frente. Um gemido que em mim há, compele-me e quer saltar cá para fora. No meio do intenso frio, completamente encharcado, esboço um sorriso... Abro a boca...
AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!