Mar 31, 2011

Entretanto

Entrei e senti a falta do esperado.
Esperei em vão e senti o calor das lágrimas que rolaram, indiferentes á minha tentativa pateta de as reter dentro das janelas baças.
Toquei o chão com os dedos nus, sedentos de tomarem as formas que outras tantas vezes percorreram com a segurança de quem sabe o que quer.
Assumi aquele canto da sala como sendo meu e prostrei-me. Tentei encontrar descanso nas memórias saltitantes mas apenas consegui fazer com que o buraco ficasse maior.
Encontro um ponto no teto e tento concentrar-me, preciso chegar a terra senão corro o sério risco desta viagem não ter mais volta.
De rompante, procuro erguer-me mas faltam-me as forças, falta-me a coragem.
As mãos agora misturam o produto deste momento com os cabelos. A cabeça dói. O peito está prestes a explodir... Quem apagou as luzes? Porque é que a sala se move?
Tenho dificuldade em discernir imaginação de realidade. Quero adormecer e não consigo.
Não há mais nada para mim aqui, preciso fugir. Ofegante arrasto-me até à porta que insiste em não se abrir, preciso respirar, quem me ajuda? Ninguém me vai ouvir, com certeza ninguém estará acordado a esta hora. Tento gritar mas as forças esgotaram no pranto amargo de há pouco.
Acho que vou desistir... vou tentar adormecer mesmo aqui. Preciso descansar... entretanto talvez consiga sonhar.

Mar 18, 2011

Para ser Dr. é preciso fazer disto


História inventada para uma cadeira da Univ. (sim porque eu ando na universidade), tendo como base uma imagem escolhida por cada um, no meu caso escolhi a lua cheia. Espero que gostem meus imensos leitores bloggeiros.

Era uma noite igual a tantas outras, o mesmo sentir de que pouca coisa corre bem na minha vida.

Este lugar tem assumido cada vez mais o papel de escape e desabafo para mim. Da janela do meu quarto posso ver agora a rua deserta e mal iluminada do meu bairro cinzento e sujo, degradado pela falta de cuidado de quem devia tomar conta disto.

Assim como eu. Depois de crescido sinto que ninguém, nem eu mesmo tomo conta de mim.

E esta lua cheia tão bonita?

Enfim, encontro-me novamente a reclamar comigo mesmo. Murmuro palavras de protesto contra tudo e contra todos. Esta janela tem sido o meu refúgio há já demasiado tempo.

O silêncio da rua deserta contrasta com o som ensurdecedor das vozes dentro da minha cabeça. Procuro acalmar-me e pensar que tenho ainda muito pelo que viver, pelo que lutar.

Atiro o meu olhar para dentro do pequeno quarto composto. “Ela tem muito cuidado com a família e com a casa”, penso. E agora desempregado fica mais difícil de levar as coisas a bom termo.

Sinto um nó na garganta.

A ténue luz que entra pela janela, revela as faces calmas e tranquilas da minha família. Parecem anjos…

Sou assombrado por um forte sentimento de impotência. Não temos dinheiro para comprar comida e já devo 3 meses de renda…

E esta lua cheia tão bonita?

Mar 14, 2011

Não sou de polémicas mas... ninguém se mete com o meu Benfica

O ódio é um sentimento intenso de raiva. Traduz-se na forma de
antipatia, aversão, desgosto, rancor, inimizade ou repulsa contra uma
pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o
seu objectivo.
Este é o sentimento que desde há alguns anos vem sendo forjado e
alimentado por um individuo que ao perceber que grande parte da classe
política e boa parte da justiça portuguesa, não são mais que um bando
de bajuladores rascas à procura de umas migalhas de fama (putas,
viagens e jogos à borla) a quem facilmente poderia manipular!
Tendo estes invertebrados nas mãos, facilmente chegou ao controlo
absoluto de polícias, tribunais e governantes!
É assim que todos os anos a Assembleia da Republica oferece (suponho
que com o dinheiro dos contribuintes) um almoço ao bufolas corrupto,
mafioso de quem falamos!
Quem controla polícias, tribunais (juízes) e governos, controla também
uma larga trupe que vai desde árbitros (conselhos de arbitragens)
justiça desportiva (muitos acumulam nos tribunais comuns) a clubes
"amigos" que se prontificam a prostituírem-se em troca de uma subida
de divisão, uma manutenção ou uma ida às competições europeias...
Como sempre acontece nestas circunstâncias logo se perfilam uns
quantos prostitutos que fazem grande parte do trabalho sujo,
tornando-se em alguns casos mais sujos que o o seu mentor!
É o que se passa com os bácoros de Braga!
Luís Filipe Vieira diz que não entende o ódio das gentes de Braga!
Eu não entendo como Luís Filipe Vieira se deixa enganar desta maneira!
As gentes de Braga tal como as gentes do Porto, não são os canalhas
que trabalham para o foculporto ou para os bácoros de Braga!
Não são as gentes de Braga ou Porto que acossam o autocarro do Benfica.
Não são eles que agridem mães e filhos menores apenas porque trazem um
cachecol do Benfica!
Não foram as gentes do Porto que acolitaram (bruno pidá e outros já
presos) o bufolas corrupto ao tribunal de Gaia!
Não são as suas gentes que criam um clima de terror sempre que o
Benfica tem de jogar nos seus recintos...
São grupos bem organizados que visam atemorizar a nossa equipa e
fazem-no com total impunidade!
O que Luís Filipe Vieira tem de fazer é obrigar os dirigentes da liga,
responsáveis policiais e responsáveis governamentais, nomeadamente o
ministério da administração interna e secretário de estado para o
desporto a tomarem medidas que acabem com este terror, tornando-se um
hábito que leva as pessoas de bem a acreditar que é normal!
Isto não é normal, estamos num estado de direito!
Há leis para serem cumpridas!
Não podem ser os corruptos e os covardes a ditarem as suas leis!
Segue um resumo do "futebol" que se praticou em Braga...
A covarde expulsão do Javi Garcia;

Enviaram-me por e-mail e não conheço a autoria, mas sei de onde veio, veio de um coração indignado.

O assalto ao Benfica em Braga

Não gosto muito de polémicas mas esta tinha mesmo de ser.

Não consegui transportar o vídeo, por isso têm que clicar no link para observar esta miséria.

Mar 10, 2011

Impossível

O que é afinal este conceito de impossível?
O meu fiel amigo Dicionário da Língua Portuguesa 2011 da Porto Editora diz o seguinte:
Impossível 1 que não é possível 2 que não pode existir 3 que não pode realizar-se, irrealizável 4 que é estranho e invulgar, aparentemente desafiando as leis da razão 5 em que é difícil acreditar; incrível. Diz mais coisa que não é possível; grande dificuldade; esforço máximo.
Toda a minha vida tenho sido formatado e feito crer que existem coisas que são efectivamente impossíveis de fazer ou acontecer. E eu sempre pensei: com certeza Arquimedes deve igualmente ter sido bombardeado com as mesmas ideias... Cuidado Arquimedes que isso é impossível. E Galileu? Esse então sofreu na pele de forma tangível a ideia de que existem coisas que são IMPOSSÍVEIS de alcançar.
Penso em todos os trepadores de montanhas como o Evereste, em povos aventureiros como os Portugueses para quem seria com certeza impossível chegar à Índia por mar. Penso em todos os pesquisadores, todos aqueles que deram as suas vidas para ajudar pessoas em zonas de guerra, de fome, de doenças, enfim. Penso na luta pela igualdade de direitos entre brancos e negros, na luta pela emancipação das mulheres, na luta pelos direitos das crianças, tudo rotulado como sendo IMPOSSÍVEL.
Então serei eu, logo eu que habito no inabitável, que me movo nos lugares de acesso restrito de infindáveis e incontáveis mundos, uns distantes e outros nem por isso, serei eu a assumir esta atitude de IMPOSSIBILIDADE? Não, não eu. Nunca eu. Isso sim seria IMPOSSÍVEL. Quando eu QUERO alguma coisa, eu LUTO por ela e assumo a máxima da Adidas : Impossible is Nothing.
O que seria de mim se eu estivesse preso às convenções que me dizem que ainda há coisas impossíveis?...

Eu peço o impossível? Será mesmo que é impossível o que eu peço?
Pois eu digo, difícil sim, impossível nunca.

Mar 7, 2011

Momentos Irreais

Existem momentos nas nossas vidas que, quer seja pela aparência, quer pelo impacto que tem, nos marcam assim de uma forma quase surreal, como um trail retirado de um filme.
Hoje fui fazer uma coisa que amo imenso fazer, pescar. Agarrei nas tralhas e no herdeiro do trono e lá foram eles rumo aos moinhos da Tramaga, uma zona com comportas na ribeira do Sor.
Estavam reunidas todas as condições para ser mais uma bela tarde de pescaria, que não é mais nem menos para mim do que um pouco de higiene mental.
Eu gosto mais de pescar do lado sul da ribeira, menos gente, mais espaço, enfim... o final da tarde na ribeira trouxe consigo uma luminosidade diferente. O céu explodiu em tons de amarelo torrado, envolvendo umas quantas nuvens de tonalidades cinzentas. O reflexo desta cena na água da ribeira, provocava um espelho de água especial, alternando entre o claro do sol a pôr-se, e o escuro das nuvens que se aproximavam de sul.
Senti no ar que algo estava para aparecer.
Fui ao carro levar o artista mais novo e, enquanto lhe preparava duas sandes de fiambre e lhas entregava, tive a sensação de um clarão rapidamente ter enchido o ar. "Será trovoada?" - pensei. Tive a resposta com som poderoso do ribombar do trovão que se lhe seguiu. Estava muito perto.
Como já tinham caído umas gotas, regozijei com a possibilidade de poder pescar à chuva. Que loucura, juntar estes dois factores no mesmo dia, ainda por cima com esta temperatura tão amena... Apressei-me a passar a ribeira para o outro lado e peguei na cana de 7 metros que havia deixado estendida na relva enquanto fui ao carro.
Fiz o arremeço firme e fiquei na expectativa do que estaria para vir.
Mas nunca pensei...
Caíam umas gotas de água e o vento tinha-se transformado numa suave brisa que permitia ver melhor a configuração dos remoínhos maravilhosamente elaborados pela corrente da ribeira, quando de repente por trás de mim ouvi as copas dos altos ciprestes entoarem um som carregado e conhecido de gotas de água mais grossas. "Vem aí uma chuvada" -pensei. O céu tinha-se escurecido e de quando em quando era clareado pelos relâmpagos da trovoada que se avizinhava. As gotas ficaram maiores e mais intensas. Mas... espera aí, não é chuva... é granizo! Uau, de repente o céu desabou em goteiras enormes e pedras de gelo. E agora?
Assumi uma postura de pescador corajoso, afinal não seria uma chuvita que me iria cortar o barato. Pois sim... Fiquei encharcado em menos de nada e decidi encetar uma fuga estratégica até aos moínhos que distavam uns bons 100 metros do local onde me encontrava.
Quando consegui passar pela trilha lamacenta e as rochas escorregadias, cheguei ao moínho de saída.É um espaço escuro e recôndito. Já estava ocupado por um colega de infortúnio que, após exteriorisar a sua frustração em meia dúzia de palavrões lancinantes aos ouvidos, conseguiu dar-me coragem para saír a correr, atravessar a ribeira e subir a encosta antes de me sentar no meu carro, já completamente encharcado.
Os minutos que se seguiram fizeram-me pensar naquele povo gaulês que a única coisa que temiam era que o céu lhes caísse em cima da cabeça. Devia ser isso que eles sentiriam se estivessem aqui.
Depois da enchurrada, voltou de novo o bom tempo e fiz-me de novo ao caminho, agora mais perigoso, e voltei a empunhar a minha espada de 7 metros durante o tempo que a luz que se ia desvanecendo me deixou.
Surreal.

Mar 5, 2011

Moldes, feitios e formas

A minha jornada anda por meio deste caminho difícil de convenções sociais e encadeamentos mais ou menos lógicos de como deve ou não deve ser a postura e a performance de uma pessoa, tendo como base o aceitável, o politicamente correcto e, quanto menos contrariedades melhor, quanto menos confronto, agradecido. Vivo em meio ao que é esperado que se faça. Toda a gente tem expectativas em relação ao que devemos ser e fazer, tendo como ponto de partida apenas a parte visível do nosso ser, a parte confortavelmente camuflada e formatada daquilo que pensamos ser o mais correcto ser e fazer, de forma a sermos aceites diante dos outros, mas sempre na óptica de um contexto plástico e artificial, demasiadamente inócuo e desinteressante para que, pelo menos eu, me sinta atraído a participar.
Subitamente dou comigo a pensar que de alguma forma sou "obrigado" a agir tendo em vista uma alegada candidatura a ministro dos negócios estrangeiros. Qual embaixador em país distante, sou colocado na posição de agradar aos anfitriões, detentores da verdade suprema e guias de cegos inveterados, infalíveis e sempre, sempre muito cuidadosos com os detalhes mais ínfimos que podem ir desde os pelos dos sovacos aparados, ao aroma de alfazema silvestre e léxico cuidadosamente medido e pensado, ruminado vezes sem conta, de forma a não comprometer nem comprometer, pois há que manter uma distância de segurança se queremos ter galardão junto de todas as outras ovelhas da mesma cor. Uso as palavras correctas de forma a comprometer-me a não me comprometer, ou seja, assumo o compromisso de apenas me comprometer até ao ponto em que o que digo e faço não venha por ventura a comprometer-me.
Procuro enquadrar-me nesta visão cinzenta da vida mas não consigo. "És muito cinzento" - dizem-me. Em rasgos de loucura procuro ser natural e agir de forma coerente com os princípios que mudaram a minha vida, com proximidade, mas logo sou confrontado com uma buzina, qual alarme de carro de luxo dizendo: "por favor afaste-se pois encontra-se a menos de um metro da viatura".
A minha mente não consegue gerir esta realidade e procuro sempre estar no local que mais me parece ser o correcto. Invariavelmente encontro-me a nadar contra a maré... Este não é o sentido das coisas, ou é? Pois, se calhar é...
É então que procuro refugio naquele lugar de sonho e fantasia. Tento sempre que possível chegar mais cedo pois não quero perder nada. Nem sempre encontro sorrisos no meu lugar encantado. Aliás, não poucas vezes fico de rastos no momento de sair do sonho, pois o sabor da fantasia desejada e não vivenciada pode ser uma dor lancinante no peito. Não importa, quero estar nesse lugar de sonho e de refúgio, que me dá força para enfrentar a realidade. No meu lugar de sonho posso ser como sou na realidade, não tenho de ter medo de falhar em alguma coisa que digo ou faço e assim errar nos 31 sabores do regulamento do saber ser e saber estar e escandalizar algum iluminado com a minha maneira anormal de ser.
Ah como gosto do meu lugar de fuga. Posso voar, posso ser quem eu quiser. Posso esconder-me e ser visto por quem quero... No meu lugar de sonho não é permitido seguir o protocolo. No meu lugar de fantasia o tempo pára. No meu lugar de fantasia o tempo voa.