Dec 8, 2011

Dissertação

Excentricidade no sentir, loucura no falar, sem limites no sonhar. Sou uma mistura de sabores e um composto de cores, envolto em sons e silêncio. Internamente estou em constante ebulição, tento impedir que a lava seja derramada com estrondo. Corro de pensamento em pensamento tal como um cão faz atrás da sua própria cauda. vivo sonhos e realidades alternativas. Pinto e repinto a tela da vida com as cores do momento, com as cores do sentir, raramente com as da razão. Obrigo-me a mim próprio a acreditar que aquilo que as pessoas vêem é aquilo que realmente sou.

Nov 11, 2011

Ali estava ela...


Em viagem nocturna, necessária para cumprir objectivos pessoais, nesta noite tive a companhia da lua cheia.
A luz intensa iluminava o caminho ao ponto de ser possível fazer uma das minhas asneiras favoritas - conduzir de luzes apagadas durante a lua cheia.
Tenho tempo para pensar e mergulho profundamente num passado tantas vezes recente como de repente parece tão antigo e inacessível. Penso nas pessoas e nas situações. Penso nos lugares e nos momentos especiais. Penso num sem número de coisas, mas sempre sou trazido à realidade do momento pela luz intensa da lua que me acompanha espreitando-me no topo do meu ombro esquerdo, acariciando-me o rosto com a luz branca e suave que confere um ambiente mágico ao caminho, ora belo com muita luz, ora tétrico quando as névoas que se deitam na estrada e nos campos são expostas em todo o seu mistério.
Gosto muito de lua cheia, é como musa inspiradora para situações diferentes sem medo de convenções e regras sociais, apenas dando lugar à magia que aquela bola de luz branca e intensa traduzem.

Oct 21, 2011

Quando eu me encontrar

E quando por fim eu me encontrar, tentarei ser razoável comigo mesmo. Não negociarei guerras nem tréguas e desfilarei sem pudor diante da minha intolerância para comigo mesmo. Sairei porta fora e não mais tentarei passar ao lado do que quer que seja. Serei um novo eu, quando por fim eu me encontrar.
Não mais fugas dos palcos, nem mais esconder das luzes, quando eu me encontrar serei capaz de fazer algodão doce nos corações de todos os actores que participam neste filme que é a vida. Serão sorrisos e apenas lágrimas de alegria. Quando eu me encontrar saberei partilhar comigo mesmo a intensa dor e todas as frustrações. Estarei sempre ao meu lado sem desistir, disponibilizarei o meu ombro e abraço sentidos para que eu possa me sentir seguro e aceite. Quando eu me encontrar não mais brincarei com coisas sérias que me ligam à eternidade, serei um só novamente, serei integro e sem fracturas. Quando eu por fim me encontrar serei sempre honesto e transparente e reaprenderei a andar.

Apr 6, 2011

Solidão - Escolha ou Inevitabilidade?

É interessante perceber ultimamente o número anormal de idosos encontrados mortos em suas casas, alguns deles há mais de 9 anos...
E eu penso, será que este é um fenómeno recente ou é algo que já acontecia mas que não era falado e agora com estas filosofias dos media que teimam em esventrar a intimidade das pessoas (e fazem-no porque alguém compra)?
O que estamos nós a fazer uns com os outros? Apregoa-se a inclusão e a igualdade mas a verdade é que não sinto isso, especialmente quando se trata dos mais idosos...
Confesso que a ideia de envelhecer não me agrada mesmo nada, fico a pensar nas limitações que terei de enfrentar... Mas não consigo ficar indiferente quando percebo que é possível viver num prédio, numa vizinhança, numa determinada localidade e só darem pela falta de alguém 5 anos após ter morrido. Essa ideia assusta-me e entristece-me até ao tutano.
Que dias são estes? Cultivamos a individualidade, cultivamos o individualismo, tornámos-nos egoístas e egocentristas até ao ponto de mais nada nem mais ninguém importar verdadeiramente.
Que triste vida têm aqueles que, avançados em idade, sofrem o impacto desta sociedade "desenvolvida", sendo lançados para um qualquer canto (se o tiverem), sem acesso a um pouco de vida, sem acesso a uma mão estendida (ainda que as haja, graças a Deus), vivendo numa prisão de ter de enfrentar cada dia depois de ter esquecido o sabor de uma companhia, de se saber que se é importante para alguém.

Mar 31, 2011

Entretanto

Entrei e senti a falta do esperado.
Esperei em vão e senti o calor das lágrimas que rolaram, indiferentes á minha tentativa pateta de as reter dentro das janelas baças.
Toquei o chão com os dedos nus, sedentos de tomarem as formas que outras tantas vezes percorreram com a segurança de quem sabe o que quer.
Assumi aquele canto da sala como sendo meu e prostrei-me. Tentei encontrar descanso nas memórias saltitantes mas apenas consegui fazer com que o buraco ficasse maior.
Encontro um ponto no teto e tento concentrar-me, preciso chegar a terra senão corro o sério risco desta viagem não ter mais volta.
De rompante, procuro erguer-me mas faltam-me as forças, falta-me a coragem.
As mãos agora misturam o produto deste momento com os cabelos. A cabeça dói. O peito está prestes a explodir... Quem apagou as luzes? Porque é que a sala se move?
Tenho dificuldade em discernir imaginação de realidade. Quero adormecer e não consigo.
Não há mais nada para mim aqui, preciso fugir. Ofegante arrasto-me até à porta que insiste em não se abrir, preciso respirar, quem me ajuda? Ninguém me vai ouvir, com certeza ninguém estará acordado a esta hora. Tento gritar mas as forças esgotaram no pranto amargo de há pouco.
Acho que vou desistir... vou tentar adormecer mesmo aqui. Preciso descansar... entretanto talvez consiga sonhar.

Mar 18, 2011

Para ser Dr. é preciso fazer disto


História inventada para uma cadeira da Univ. (sim porque eu ando na universidade), tendo como base uma imagem escolhida por cada um, no meu caso escolhi a lua cheia. Espero que gostem meus imensos leitores bloggeiros.

Era uma noite igual a tantas outras, o mesmo sentir de que pouca coisa corre bem na minha vida.

Este lugar tem assumido cada vez mais o papel de escape e desabafo para mim. Da janela do meu quarto posso ver agora a rua deserta e mal iluminada do meu bairro cinzento e sujo, degradado pela falta de cuidado de quem devia tomar conta disto.

Assim como eu. Depois de crescido sinto que ninguém, nem eu mesmo tomo conta de mim.

E esta lua cheia tão bonita?

Enfim, encontro-me novamente a reclamar comigo mesmo. Murmuro palavras de protesto contra tudo e contra todos. Esta janela tem sido o meu refúgio há já demasiado tempo.

O silêncio da rua deserta contrasta com o som ensurdecedor das vozes dentro da minha cabeça. Procuro acalmar-me e pensar que tenho ainda muito pelo que viver, pelo que lutar.

Atiro o meu olhar para dentro do pequeno quarto composto. “Ela tem muito cuidado com a família e com a casa”, penso. E agora desempregado fica mais difícil de levar as coisas a bom termo.

Sinto um nó na garganta.

A ténue luz que entra pela janela, revela as faces calmas e tranquilas da minha família. Parecem anjos…

Sou assombrado por um forte sentimento de impotência. Não temos dinheiro para comprar comida e já devo 3 meses de renda…

E esta lua cheia tão bonita?

Mar 14, 2011

Não sou de polémicas mas... ninguém se mete com o meu Benfica

O ódio é um sentimento intenso de raiva. Traduz-se na forma de
antipatia, aversão, desgosto, rancor, inimizade ou repulsa contra uma
pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o
seu objectivo.
Este é o sentimento que desde há alguns anos vem sendo forjado e
alimentado por um individuo que ao perceber que grande parte da classe
política e boa parte da justiça portuguesa, não são mais que um bando
de bajuladores rascas à procura de umas migalhas de fama (putas,
viagens e jogos à borla) a quem facilmente poderia manipular!
Tendo estes invertebrados nas mãos, facilmente chegou ao controlo
absoluto de polícias, tribunais e governantes!
É assim que todos os anos a Assembleia da Republica oferece (suponho
que com o dinheiro dos contribuintes) um almoço ao bufolas corrupto,
mafioso de quem falamos!
Quem controla polícias, tribunais (juízes) e governos, controla também
uma larga trupe que vai desde árbitros (conselhos de arbitragens)
justiça desportiva (muitos acumulam nos tribunais comuns) a clubes
"amigos" que se prontificam a prostituírem-se em troca de uma subida
de divisão, uma manutenção ou uma ida às competições europeias...
Como sempre acontece nestas circunstâncias logo se perfilam uns
quantos prostitutos que fazem grande parte do trabalho sujo,
tornando-se em alguns casos mais sujos que o o seu mentor!
É o que se passa com os bácoros de Braga!
Luís Filipe Vieira diz que não entende o ódio das gentes de Braga!
Eu não entendo como Luís Filipe Vieira se deixa enganar desta maneira!
As gentes de Braga tal como as gentes do Porto, não são os canalhas
que trabalham para o foculporto ou para os bácoros de Braga!
Não são as gentes de Braga ou Porto que acossam o autocarro do Benfica.
Não são eles que agridem mães e filhos menores apenas porque trazem um
cachecol do Benfica!
Não foram as gentes do Porto que acolitaram (bruno pidá e outros já
presos) o bufolas corrupto ao tribunal de Gaia!
Não são as suas gentes que criam um clima de terror sempre que o
Benfica tem de jogar nos seus recintos...
São grupos bem organizados que visam atemorizar a nossa equipa e
fazem-no com total impunidade!
O que Luís Filipe Vieira tem de fazer é obrigar os dirigentes da liga,
responsáveis policiais e responsáveis governamentais, nomeadamente o
ministério da administração interna e secretário de estado para o
desporto a tomarem medidas que acabem com este terror, tornando-se um
hábito que leva as pessoas de bem a acreditar que é normal!
Isto não é normal, estamos num estado de direito!
Há leis para serem cumpridas!
Não podem ser os corruptos e os covardes a ditarem as suas leis!
Segue um resumo do "futebol" que se praticou em Braga...
A covarde expulsão do Javi Garcia;

Enviaram-me por e-mail e não conheço a autoria, mas sei de onde veio, veio de um coração indignado.

O assalto ao Benfica em Braga

Não gosto muito de polémicas mas esta tinha mesmo de ser.

Não consegui transportar o vídeo, por isso têm que clicar no link para observar esta miséria.

Mar 10, 2011

Impossível

O que é afinal este conceito de impossível?
O meu fiel amigo Dicionário da Língua Portuguesa 2011 da Porto Editora diz o seguinte:
Impossível 1 que não é possível 2 que não pode existir 3 que não pode realizar-se, irrealizável 4 que é estranho e invulgar, aparentemente desafiando as leis da razão 5 em que é difícil acreditar; incrível. Diz mais coisa que não é possível; grande dificuldade; esforço máximo.
Toda a minha vida tenho sido formatado e feito crer que existem coisas que são efectivamente impossíveis de fazer ou acontecer. E eu sempre pensei: com certeza Arquimedes deve igualmente ter sido bombardeado com as mesmas ideias... Cuidado Arquimedes que isso é impossível. E Galileu? Esse então sofreu na pele de forma tangível a ideia de que existem coisas que são IMPOSSÍVEIS de alcançar.
Penso em todos os trepadores de montanhas como o Evereste, em povos aventureiros como os Portugueses para quem seria com certeza impossível chegar à Índia por mar. Penso em todos os pesquisadores, todos aqueles que deram as suas vidas para ajudar pessoas em zonas de guerra, de fome, de doenças, enfim. Penso na luta pela igualdade de direitos entre brancos e negros, na luta pela emancipação das mulheres, na luta pelos direitos das crianças, tudo rotulado como sendo IMPOSSÍVEL.
Então serei eu, logo eu que habito no inabitável, que me movo nos lugares de acesso restrito de infindáveis e incontáveis mundos, uns distantes e outros nem por isso, serei eu a assumir esta atitude de IMPOSSIBILIDADE? Não, não eu. Nunca eu. Isso sim seria IMPOSSÍVEL. Quando eu QUERO alguma coisa, eu LUTO por ela e assumo a máxima da Adidas : Impossible is Nothing.
O que seria de mim se eu estivesse preso às convenções que me dizem que ainda há coisas impossíveis?...

Eu peço o impossível? Será mesmo que é impossível o que eu peço?
Pois eu digo, difícil sim, impossível nunca.

Mar 7, 2011

Momentos Irreais

Existem momentos nas nossas vidas que, quer seja pela aparência, quer pelo impacto que tem, nos marcam assim de uma forma quase surreal, como um trail retirado de um filme.
Hoje fui fazer uma coisa que amo imenso fazer, pescar. Agarrei nas tralhas e no herdeiro do trono e lá foram eles rumo aos moinhos da Tramaga, uma zona com comportas na ribeira do Sor.
Estavam reunidas todas as condições para ser mais uma bela tarde de pescaria, que não é mais nem menos para mim do que um pouco de higiene mental.
Eu gosto mais de pescar do lado sul da ribeira, menos gente, mais espaço, enfim... o final da tarde na ribeira trouxe consigo uma luminosidade diferente. O céu explodiu em tons de amarelo torrado, envolvendo umas quantas nuvens de tonalidades cinzentas. O reflexo desta cena na água da ribeira, provocava um espelho de água especial, alternando entre o claro do sol a pôr-se, e o escuro das nuvens que se aproximavam de sul.
Senti no ar que algo estava para aparecer.
Fui ao carro levar o artista mais novo e, enquanto lhe preparava duas sandes de fiambre e lhas entregava, tive a sensação de um clarão rapidamente ter enchido o ar. "Será trovoada?" - pensei. Tive a resposta com som poderoso do ribombar do trovão que se lhe seguiu. Estava muito perto.
Como já tinham caído umas gotas, regozijei com a possibilidade de poder pescar à chuva. Que loucura, juntar estes dois factores no mesmo dia, ainda por cima com esta temperatura tão amena... Apressei-me a passar a ribeira para o outro lado e peguei na cana de 7 metros que havia deixado estendida na relva enquanto fui ao carro.
Fiz o arremeço firme e fiquei na expectativa do que estaria para vir.
Mas nunca pensei...
Caíam umas gotas de água e o vento tinha-se transformado numa suave brisa que permitia ver melhor a configuração dos remoínhos maravilhosamente elaborados pela corrente da ribeira, quando de repente por trás de mim ouvi as copas dos altos ciprestes entoarem um som carregado e conhecido de gotas de água mais grossas. "Vem aí uma chuvada" -pensei. O céu tinha-se escurecido e de quando em quando era clareado pelos relâmpagos da trovoada que se avizinhava. As gotas ficaram maiores e mais intensas. Mas... espera aí, não é chuva... é granizo! Uau, de repente o céu desabou em goteiras enormes e pedras de gelo. E agora?
Assumi uma postura de pescador corajoso, afinal não seria uma chuvita que me iria cortar o barato. Pois sim... Fiquei encharcado em menos de nada e decidi encetar uma fuga estratégica até aos moínhos que distavam uns bons 100 metros do local onde me encontrava.
Quando consegui passar pela trilha lamacenta e as rochas escorregadias, cheguei ao moínho de saída.É um espaço escuro e recôndito. Já estava ocupado por um colega de infortúnio que, após exteriorisar a sua frustração em meia dúzia de palavrões lancinantes aos ouvidos, conseguiu dar-me coragem para saír a correr, atravessar a ribeira e subir a encosta antes de me sentar no meu carro, já completamente encharcado.
Os minutos que se seguiram fizeram-me pensar naquele povo gaulês que a única coisa que temiam era que o céu lhes caísse em cima da cabeça. Devia ser isso que eles sentiriam se estivessem aqui.
Depois da enchurrada, voltou de novo o bom tempo e fiz-me de novo ao caminho, agora mais perigoso, e voltei a empunhar a minha espada de 7 metros durante o tempo que a luz que se ia desvanecendo me deixou.
Surreal.

Mar 5, 2011

Moldes, feitios e formas

A minha jornada anda por meio deste caminho difícil de convenções sociais e encadeamentos mais ou menos lógicos de como deve ou não deve ser a postura e a performance de uma pessoa, tendo como base o aceitável, o politicamente correcto e, quanto menos contrariedades melhor, quanto menos confronto, agradecido. Vivo em meio ao que é esperado que se faça. Toda a gente tem expectativas em relação ao que devemos ser e fazer, tendo como ponto de partida apenas a parte visível do nosso ser, a parte confortavelmente camuflada e formatada daquilo que pensamos ser o mais correcto ser e fazer, de forma a sermos aceites diante dos outros, mas sempre na óptica de um contexto plástico e artificial, demasiadamente inócuo e desinteressante para que, pelo menos eu, me sinta atraído a participar.
Subitamente dou comigo a pensar que de alguma forma sou "obrigado" a agir tendo em vista uma alegada candidatura a ministro dos negócios estrangeiros. Qual embaixador em país distante, sou colocado na posição de agradar aos anfitriões, detentores da verdade suprema e guias de cegos inveterados, infalíveis e sempre, sempre muito cuidadosos com os detalhes mais ínfimos que podem ir desde os pelos dos sovacos aparados, ao aroma de alfazema silvestre e léxico cuidadosamente medido e pensado, ruminado vezes sem conta, de forma a não comprometer nem comprometer, pois há que manter uma distância de segurança se queremos ter galardão junto de todas as outras ovelhas da mesma cor. Uso as palavras correctas de forma a comprometer-me a não me comprometer, ou seja, assumo o compromisso de apenas me comprometer até ao ponto em que o que digo e faço não venha por ventura a comprometer-me.
Procuro enquadrar-me nesta visão cinzenta da vida mas não consigo. "És muito cinzento" - dizem-me. Em rasgos de loucura procuro ser natural e agir de forma coerente com os princípios que mudaram a minha vida, com proximidade, mas logo sou confrontado com uma buzina, qual alarme de carro de luxo dizendo: "por favor afaste-se pois encontra-se a menos de um metro da viatura".
A minha mente não consegue gerir esta realidade e procuro sempre estar no local que mais me parece ser o correcto. Invariavelmente encontro-me a nadar contra a maré... Este não é o sentido das coisas, ou é? Pois, se calhar é...
É então que procuro refugio naquele lugar de sonho e fantasia. Tento sempre que possível chegar mais cedo pois não quero perder nada. Nem sempre encontro sorrisos no meu lugar encantado. Aliás, não poucas vezes fico de rastos no momento de sair do sonho, pois o sabor da fantasia desejada e não vivenciada pode ser uma dor lancinante no peito. Não importa, quero estar nesse lugar de sonho e de refúgio, que me dá força para enfrentar a realidade. No meu lugar de sonho posso ser como sou na realidade, não tenho de ter medo de falhar em alguma coisa que digo ou faço e assim errar nos 31 sabores do regulamento do saber ser e saber estar e escandalizar algum iluminado com a minha maneira anormal de ser.
Ah como gosto do meu lugar de fuga. Posso voar, posso ser quem eu quiser. Posso esconder-me e ser visto por quem quero... No meu lugar de sonho não é permitido seguir o protocolo. No meu lugar de fantasia o tempo pára. No meu lugar de fantasia o tempo voa.

Feb 27, 2011

Sam Brown - Stop

Tão perto e contudo tão longe

É isso que sinto, tão perto e contudo tão longe.
Atropelo de pensamentos que não permanecem nem conseguem suplantar aquele que toma conta do meu ser, aquele que me ocupa a mente, aquele que me corta a respiração...
Tão perto e contudo tão longe é sentir que a vida se escorre por entre os dedos. Procuro viver intensamente cada momento que estou perto o suficiente para sentir o aroma inebriante da razão do meu sentir e senhora do meu pensar. Procuro ser intenso e imprevisível.
Tão perto e tão longe é sonhar com realidades virtuais, imaginárias e impossíveis de realizar. É sentir a angústia de saber que se caminha numa estrada sem bermas e dessa forma é não poder parar nem tão pouco estacionar. É almejar um momento de magia no qual tudo seria tão diferente...(...)
Tão perto e tão longe é sorrir diante das recordações dos momentos passados, agradáveis e doces. É sorrir dos momentos em que, corajoso, procurei roubar pedaços daquilo que não devia nem podia.
Tão perto e tão longe é sentir a frustração de viver a máxima de que não se pode ter tudo o que se quer... bah... como me angustia este conjunto de palavras...
Tão perto e tão longe é saber que no início via a imagem desfocada como que em um espelho baço, mas que a pouco e pouco foi possível vislumbrar a imagem correcta de uma alma gémea, sedenta e cuidadosamente guardada num jardim escondido e de acesso restrito.
Tão perto e tão longe é a maravilhosa sensação de privilégio por poder entrar nesse jardim escondido e nele poder passear, experimentando as delícias dos seus aromas e sabores.
Tão perto e tão longe é partilhar a pesada carga que se carrega sem ter medo da condenação ou do julgamento. É ter sonhos em comum. É descobrir coisas em comum. É sentir coisas em comum.
Tão perto e tão longe é olhar esses olhos e ver-me reflectido tal qual como sou, não como os outros me vêem, pois só vêem o que eu deixo eles ver. A tão perto e tão longe eu deixo ver tudo, pois tão perto e tão longe está comigo estando perto e estando longe, tão perto e tão longe conhece o meu coração, sabe quem eu sou.
Oxalá fosse diferente, penso por vezes. Oxalá pudesse ser de outra forma, ser de tal maneira que se abolisse o tão longe e passasse a ser somente tão perto. Muito perto, assim bem juntinho até perceber todos os detalhes dos olhos e da pele. Até ser somente o sentir o aroma doce da pele e frutado dos cabelos.
AHHHHHH caneco quão bom seria...
Mas sendo assim, vivo os momentos com intensidade, com fulgor, com transparência e verdade, tentado cativar tão perto a não estar tão mais longe.

Feb 24, 2011

Uma noite mágica antecede uma catástrofe



Uma certa noite húmida de verão, eu e mais 4 amigos fomos de noite, como íamos muitas vezes quase em jeito de romaria, em jeito de ritual, passear de carro à bela Serra da Boa Viajem. A serra é composta por uma imensa diversidade de espécies vegetais, verdejantes, luxuriantes; do alto da serra é possível ter acesso a paisagens inebriantes, observando a cidade da Figueira da Foz na encosta Sul e a extensão a perder de vista da costa recortada aqui e além por dunas altas e guardadoras de segredos, sendo meada pela foz do Mondego; na encosta Norte é possível ver a costa rectilínea a perder de vista, protegida pelas dunas não tão altas, mas também elas guardiãs de incontáveis segredos, e ainda pelo denso pinhal, que faz parte das matas nacionais.
A Serra da Boa Viajem é mágica. Naquela noite enquanto passeávamos entorpecidos pelos tóxicos sempre presentes nestas nossas andanças, as grossas gotas de água caíam das altas árvores e batiam no carro com ruídos típicos de uma noite daquelas. A noite estava escura, não se via nada para além da luz que o carro emitia. Parecia que mesmo essa luz não conseguia penetrar a escuridão dura daquela noite. Todos sentíamos algo diferente e estranho no ar.
De repente ao olhar para o interior da mata de eucaliptos centenários, tive a sensação de ver uma luz estranha, um ponto de luz pequeno mas intenso. Na loucura do momento mandei parar o carro e, alheio às críticas do pessoal :"'tás parvo? vais-te molhar todo!" eu entrei dentro da mata até ao ponto em que a luz do carro já não me conseguia impedir de ver na escuridão. Sei que parece um contra-senso. E de repente eu vi. De repente eu tive acesso a uma visão que levou aos limites a minha estrutura sensorial. Em meio ás gotas que me acariciavam o rosto eu vi milhões, sim, literalmente milhões de pirilampos voando em meu redor, em todo o lado, paravam em mim. De repente o espaço ao meu redor ficou iluminado com aquela luz esmeralda, concedendo um tom de magia maior àquela noite que de si já estava a ser especial. Gritei para o carro e chamei-os. Saíram a resmungar mas curiosos. O que juntos vivemos naqueles minutos que se seguiram nunca vou conseguir explicar e descrever de forma correcta. Foi mágico. Ao princípio falámos alto, expressámos o nosso espanto em meio a "Oh's" e "Uau's" "Olha aqui, olha aqui". Mas depois fomos ficando em silêncio até a um momento irreal em que desfrutámos daquela dádiva divina. Digo isto porque tenho a plena consciência que o meu Deus nos permitiu ver aquele espectáculo de rara beleza por um motivo.
Encharcados, vimos esta nuvem luminosa desaparecer mata adentro, para além das nossas possibilidades de locomoção.
Regressámos ao carro e permanecemos em silêncio durante muito tempo. Imagino que cada um de nós ainda estava a tentar acordar daquele sonho magnífico e colectivo. Cada um de nós estava a tentar se organizar depois daquele contacto. Foi mágico. Tantas vezes tínhamos estado na serra e nunca havíamos presenciado nada parecido.
No dia seguinte um grande fogo vindo do Norte queimou aquele lugar onde tínhamos estado na noite anterior, naquela noite mágica.

Feb 23, 2011

Algumas coisas ele tem razão, poucas mas tem...

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Gabriel o pensador "Até quando"

Feb 19, 2011

Velho amigo

Oh bom e fiel velho amigo, que saudades tenho de ti. Saudades dos tempos em que, sozinhos, partilhámos segredos; dos dias em que te observei, enfurecido, demonstrando a tua força e o teu domínio sobre a baía da Figueira.
Tenho saudades do teu cheiro intenso de maresia que me inebriava a alma e me transportava para incontáveis mundos e histórias de alegria e tristeza. Saudades das carícias que trocámos, da profunda paixão e respeito que partilhámos durante tantos anos e das quais bebo sedento sempre que tenho oportunidade de novamente entrar em ti.
Saudades dos momentos íntimos que tivemos juntos e dos conselhos sábios que me deste. Saudades da tua infinita paciência e prontidão em ouvir os meus lamentos e lamber as minhas lágrimas.
Ao teu lado aprendi a amar, dentro de ti aprendi a amar. Ao teu lado senti imenso prazer nas pessoas que conheci, nas mulheres que amei, nas asneiras que fiz... Fazes parte da minha vida, velho amigo, e, embora distante, trago marcado na pele o teu sabor salgado.
Ah aquelas noites mágicas em que a combinação certa dos ingredientes certos proporcionou momentos inesquecíveis... mar, areia, luar, relacionamentos...
Tenho saudades de ver a sol acordar no teu rosto e de o ver pôr nas tuas costas. Fazes-me bem, velho amigo.
Tenho saudades das madrugadas quentes em que a toque de álcool me recebeste com carinho e me envolveste com o teu toque suave e, juntos nos divertimos, iluminados pelo olhar invejoso da nossa amante favorita, a lua cheia... Que saudades, velho amigo.
Tenho saudades das loucuras que cometi, no ímpeto da juventude, quando subi e me lancei umas vezes corajoso, outras amedrontado, nas ondas imensas que proporcionas. Quando penso nas vezes em que estive tão perto da morte... De todas as vezes em que em plena bandeira vermelha me proporcionaste momentos mágicos. Lembras como todos nos olhavam em um misto de espanto e inveja? Ah, mas tu sempre me protegeste. Sempre soubeste o que eu queria, sempre me deste o que eu precisava.
É por isso que tenho tantas saudades tuas, velho amigo, porque sempre estiveste presente, sempre estiveste disponível, nunca falhaste, nunca me rejeitaste e acima de tudo sempre foste transparente comigo. Obrigado velho amigo pela tua generosidade. Obrigado pelo teu carinho. Obrigado pela tua amizade. Obrigado mar.

Feb 17, 2011

Há dias assim...

Há dias bons, dias menos bons e dias maus. Este dia foi mesmo mau.
Foi daqueles dias em que parecia que eu era um actor de um filme estranho, daqueles filmes do grande Manolel de Oliveira em que não se percebe nada e custa a chegar ao fim... Como é difícil gerir sentimentos quando se está condicionado. Olho para o relógio do computador que marca 22:31h e penso: "Fogo, este dia demorou eternidades até chegar aqui."
Tanto que se faz e parece que não há nada feito... Tantas pessoas na minha vida e parece que não consigo ajudar como deveria... Tantas solicitações e esta estranha sensação de que não estou a conseguir dar conta do recado...
Há dias assim...

Feb 16, 2011

Mesmo assim


Sempre acabo voltando na ressaca da onda.
Atiro-me de cabeça, com todas as minhas forças enfrento as vagas enormes e com ruído estrondoso, sou arremessado de novo para terra.
Não consigo ir mais fundo, este mar não me permite...
Mesmo assim exausto e ferido, acredito que sou capaz de passar a zona de rebentação, para além do quebra-mar, para uma zona mais segura e mais produtiva. Afinal o maior peixe encontra-se em águas profundas, os maiores desafios encontram-se nas águas mais profundas...
E mais uma vez atiro-me contra as ondas na esperança de as conseguir enganar. A corrente está forte e encontro-me sozinho. Se eu me afogar não há ninguém para me ajudar. Apenas o bater incessante das vagas que me fustigam o corpo, atiram-me de encontro ao fundo de coral. Sou cortado, espancado, moído mas não me dou por vencido....
Mesmo assim exausto e ferido, prepara-te ó mar, preparem-se ó ondas gigantes pois eu não tenho medo. Mesmo assim exausto e ferido de morte sei que vou conseguir passar por vós e chegar, enfim a águas profundas.

Feb 15, 2011

Musa do momento

Secret

You must know me
I'm one of your secrets
You must know me
I'm one of your secrets
I belong to you
I belong to you
And you belong to me

You must know me
I'm one of your secrets
From what I see
You're trying hard to keep it
Oh yes you are

Well I belong to you
I belong to you
I belong to you
And you belong to me

Look at me
I'm your heart's keeper
Meant for 3:21 AM
She will be here
Oh yes she will

And I belong to you
Yes I belong to you
I belong to you
And you belong to me

Look at me
I'm one of your secrets
From what I see
You're trying hard to keep it
Oh yeah

But I belong to you
I belong to you
I belong to you
And you belong to me
You belong to me
You belong to me

Feb 13, 2011

Gosto das tuas declarações

Cada Lugar Teu
Mafalda Veiga

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Feb 10, 2011

Musa do momento

Letting The Cables Sleep

You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost
Living your end
Never seem to get in the place that I belong
Don't wanna lose the time
Lose the time to come

Whatever you say it's alright
Whatever you do it's all good
Whatever you say it's alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
If heaven is on the way

You in the sea
On a decline
Breaking the waves
Watching the lights go down
Letting the cables sleep

Whatever you say it's alright
Whatever you do it's all good
Whatever you say it's alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
We'll wrap the world around it
If heaven is on the way
If heaven is on the way

I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town

If heaven is on the way
If heaven is on the way
I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town

Vida vs Morte

Não sei bem quanto a vocês, milhares de leitores assíduos deste modesto blog, mas eu tenho muita dificuldade com a morte. A concepção de que de repente perdemos alguém que de alguma forma nos é querido, mexe com os meus mais íntimos sentimentos e leva-me a um estado de desespero mais ou menos controlado, pois pensar que não terei mais oportunidade de poder estar com determinada pessoa é para mim um exercício por demais doloroso, ao ponto de me asfixiar.
O facto de já ter perdido pessoas importantes para mim, leva-me a reflectir sobre a vida. A Bíblia diz que melhor é ir à casa onde há luto do que na casa onde há banquete, pois ali se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração (Eclesiastes 7:2). A dor trazida pela perda de um ente querido é lancinante, de tal forma intensa que pode levar à loucura.
Por isso a vida é tão preciosa! Devemos investir em relacionamentos enquanto podemos, enquanto por cá andamos, porque depois não vale a pena a colocação de flores e mandar rezar missas de não-sei-quantos-dias porque depois de morrer, não há mais volta a dar. Eu, quanto a mim, queridos e imensos leitores, quero poder tratar de tudo para que não tenha de me arrepender do que não disse, do que deixei de fazer e podia ter feito, do abraço que não dei, do "Amo-te muito" e do "És muito importante para mim" que não disse.
Vamos dizer o quanto somos importantes uns aos outros enquanto podemos, enquanto cá andamos.

Feb 8, 2011

Divagação

Estou aqui mas não estou cá. Antes as horas demoravam a passar, agora o tempo corre e faz-se de noite em menos de nada. Olho ao espelho e penso que ainda sou um gaiato, apesar dos cabelos brancos e das primeiras rugas me denunciarem. Quero sempre sentir-me uma criança. Luto com as forças que me restam para permanecer incontaminado pela formatação da sociedade compreendida no local de trabalho, na igreja local, nos relacionamentos (não todos). Não acredito na máxima "Se não podes vencê-los, junta-te a eles." Para mim isso é mesmo uma mínima, mas daquelas bem menores, bem minimizadas. Eu sou como sou e acredito que o que importa é a proximidade e a profundidade que conseguimos (ou não) nos relacionamentos. Isso é que muda pessoas, o relacionamento próximo e genuíno, imaculado e incontaminado com os padrões de comportamento muitas vezes obsoletos e, desatractivos (se isso existe), tendentes a agradar as visões também obsoletas e auto-centradas, que não promovem a proximidade, mas antes empurra as pessoas (especialmente os jovens) para mais longe.
È por isso que amo tanto a Deus, pelo seu amor louco e incondicional por mim, que não olha a meios nem a estratégias para me manter perto dele e, em caso de afastamento, recorre ao mais profundo amor, carinho e acima de tudo, de se aproximar de mim.
Quero sempre ser assim.
Só tenho que ouvir as pessoas desformatadas que conheço e que reconhecem o verdadeiro valor da proximidade e do relacionamento extravagante.

Feb 7, 2011

O verdadeiro sucesso

"Como medes o sucesso?
Rir com frequência, e muito;
Ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afecto das crianças;
Obter a apreciação de críticos honestos e aguentar firme a traição dos falsos amigos;
Apreciar a beleza;
Descobrir o que há de melhor nos outros;
Deixar o mundo um pouco melhor, seja mediante uma criança sadia, uma situação social redimida, ou uma tarefa bem executada;
Saber até que outrem recebeu o sopro da vida só porque você viveu - isto é ser bem sucedido."

Ralph Waldo Emerson

O Verde

Vejo-o ao longe, é lindo.
A luz do entardecer esbate-se nas encostas dos montes que, apesar de escarpados, revelam um grande vinhedo, em socalcos perfeitos a perder de vista.
Sou invadido por uma sensação de paz.
Ouço o som das águias, altivas, voando em rodopio, circundando a parte cimeira dos montes.
O sol está a descer e a luz torna-se em um dourado escuro que adivinha o cair da noite.
Como será a noite?

Feb 6, 2011

Luís Cabaço:

Quero agradecer-te a forma espectacular com que impactaste a minha vida, foste de facto um modelo de homem a seguir. Lembro-me do dia em que te conheci, foste pregar à Castanheira e naquela noite disseste para orarmos por ti, pois o André iria viver com vocês. Achei-te estranho de aparência, mas incrivelmente calmo e amoroso. Aquele tempo na Castanheira estava a ser muito complicado para mim.
Fiquei tão feliz quando cheguei a Fanhões e tu me disseste que irias ser o meu conselheiro, o meu padrinho. Levaste-me à casa de saída onde o P P estava a trabalhar e conversaste comigo sem condenação. Eu não estava habituado a isso. Obrigado padrinho.
Lembro a paciência que tiveste comigo, a forma suave e firme como me corrigiste quando meti água. Hoje penso que me mostraste o que graça significa. Obrigado mesmo.
A forma como te comportaste sempre, foi um exemplo de vida para muita gente, mas sobretudo para mim. Lembro como trouxeste bálsamo e foste tão sábio ao lidar com a minha família quando me levaste a casa numa época em que a minha mãe se encontrava tão doente. Muito obrigado, Cabaço.
Lembro-me que descobri mais do teu coração em relação às pessoas a quem sempre te deste, no dia em que o F F abandonou o programa, depois de todo aquele investimento. Ficaste de rastos padrinho...
Sempre te senti disponível. Sempre te senti perto de mim. Sempre senti que podia confiar em ti. Nunca senti condenação da tua parte, mesmo sabendo que tiveste todos os motivos para o fazer.
Abençoaste tanto a minha vida, padrinho. Aprendi contigo, e mais tarde com o Raúl, que nunca devemos desistir das pessoas, especialmente das mais difíceis, pois nunca se sabe se estamos a perder uma oportunidades de ganhar um tremendo Homem de Deus.
As portas da tua casa sempre estiveram abertas para mim. Juntamente com a Carla e os meninos, vocês foram uma família para mim naquele tempo tão difícil.
Lembro-me do teu cuidado quando a minha mãe morreu, a tua genuína preocupação com a minha vida... Chiça, foste um grande homem, Luís.
Agora que partiste para um lugar melhor, penso nas tuas palavras e na forma como as viveste. Tomei para mim o teu lema: "sou uma pessoa contente mas não satisfeita".
Obrigado pelo que foste, és e continuarás a ser na minha vida, padrinho, amo-te muito muito.

Saudades


Feb 4, 2011

Noite após noite encomendo a mim mesmo a necessária viagem ao mundo da pena de mim mesmo.
Quero beber as lágrimas que derramo ao sentir que ninguém me entende. Sou difícil de entender.
Relaciono-me com quem me rodeia lutando para permanecer na área de segurança imposta pela sociedade e pelas regras que delimitam a impossibilidade de perceber em detalhe a fisionomia dos olhos dos outros. Quão bonitos são os olhos!!!
Preparo-me para mergulhar, quando sou relembrado que devo permanecer no trampolim, pois as coisas devem seguir um determinado rumo e devem seguir um determinado padrão de comportamento, eleito de forma a contentar-nos como gelados derretidos e pipocas que não estouraram. Sou entregue à frustração de viver uma realidade virtual, um mundo paralelo, um universo imaginário no qual me movo com facilidade e que me confere conforto e prazer.
E fico pensando que para mim muitas vezes a solidão não é um sentimento mas antes uma necessidade absoluta que me confere a capacidade de manter a sanidade mental e regressar ao real e ao concreto.
Faço do sonho um refúgio. Utilizo a mente como espaço apetecível para onde viajo sempre que a realidade se torna enfadonha e desinteressante. Um pensador, como diz o amigo Paulo Marques.
Embora doa
Klepht

É a dúvida que resta,
que me leva a perguntar...
Qual papel será o meu?
O de quem nada faz?

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

E revemos nas imagens que não passa de um esboço...
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto...

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

Porque nada surpreende.
Já vivemos com o medo.
Quem nos chama á razão?
Ao som de armas adormeço...

Embora doa, não me faz perder o sono.
Embora doa...

Escorre sangue pelo ouro em directo na tv
Explode a carne em mãos de quem nada fez

Embora doa, não me sujo desse sangue
Embora doa, há sempre outro canal

Embora doa...

Embora doa...
Não me sujo desse sangue
Embora doa...
Há sempre outro canal.

É a dúvida que resta que me leva a perguntar...

(...)


Feb 3, 2011

Perguntas

Se eu te desenhar um mapa, encontrarias o caminho para o meu coração?

Se deixar que o vento da manhã me leve, voarias comigo?

E se eu plantar um jardim, colherias as mais lindas flores?

E se eu tombar por não ter mais forças em mim, tomar-me-ias em teus braços?

Se eu me sentir sozinho, dispensar-me-ias algum do teu tempo?

Se eu me calar indefinidamente, terias paciência para mim?

Se eu gritar a dor que em mim há, servirias de bálsamo para mim?

Se eu disser que te conheço bem, acreditarias em mim?


Sem dúvida os meus favoritos




Abstracção

Entro em mergulho prolongado, sustenho a respiração até ter a sensação que os olhos me saltam das órbitas. Obrigo-me a mim mesmo a descer as 10 atmosferas que me separam do real e do concreto, pois desejo ficar no mais absoluto silêncio. Agora falta-me o ar... Sinto o sabor do sal nos meus lábios e percebo que provem dos meus olhos... Flutuo no vazio, estou no silêncio absoluto, a abstracção é total.

Feb 1, 2011

Musa da noite

Carta

Não falei contigo
Com medo que os montes e vales que me achas
Caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
Que a estabilidade lógica
De quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és...

Saudade é o ar
Que vou sugando e aceitando
Como fruto de Verão
Nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
Que num dia maior serás trapézio sem rede
A pairar sobre o mundo
Em tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste
Que o teu destino foi inventado
Por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
De sincronização do coração
São leis como paredes e tectos
Cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
Por cima de todos os teus números
Raízes quadradas de somas subtraídas
Sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
Um ciclo vicioso
Harmonioso ao teu gesto mimado
E à palma da tua mão...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.

Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos deuses...
Mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
Como refúgio dos meus sentidos
Pedaço de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...

...nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém...
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.
A mim... passou-me ao lado.

E se eu não te encontrar?

Por ti tenho procurado há tanto tempo. Estendo os meus braços na noite fria e escura, procuro por ti mas não te consigo encontrar, está difícil. Chamo por ti, chamo o teu nome e escuto, mas não obtenho resposta. Disseste-me que te poderia encontrar no jardim. Procuro por ti, sinto os ramos quebrarem-se por debaixo dos pés mas nada de ti, não te consigo ver.
Angustio-me por pensar que não te vou ver, que posso não te encontrar. Chamo por ti mais uma vez, onde estás tu? Onde estás tu?
Está escuro e ouço vozes... de repente ouço muitas vozes... não estou sozinho e peso que poderás estar no meio da multidão de sons vozes e procuro encontrar-te. Tantas vozes, tanta gente, mas não te encontro. Grito pelo teu nome, clamo por ti com intenso clamor mas nada ouço a não ser o ensurdecedor som do silêncio.
Corro com intensidade mas sem sentido, sinto que me perdi nesta busca por ti, não te consigo encontrar.
E agora? E se eu não te conseguir encontrar?

Grito da Alma

ah grito da alma que me consomes e segues,
ah grito escondido que tento ocultar
fornalha ardente, latente, presente
que tenho na mente
que dói e que sente
e me impede de andar

ah grito estridente, bonito e feio
ah grito entalado, no fundo da alma forjado
grito que me abafa o peito
que dói tanto e não me deixa pensar direito
que povoa o lugar onde me levanto e me deito
grito imenso, intenso e por demais pesado

ah grito amado e odiado
grito que ecoa cá dentro
ferida de fogo criada,
purulenta, ainda não está fechada
de dor e prazer ornamentada
grito, grito, mesmo que não queira tens sido o centro

ah grito invejoso, egoísta
ah grito ofegante, castrador
parceiro escondido
comparsa na bagagem embutido
és amigo odiado e querido
ah grito da alma, não sentes tu a minha dor?

Oh sim eu quero!!!





Sim eu quero muito





Divagação

Entendo que tudo o que tenho que entender nem sempre tem entendimento.

Jan 31, 2011

R.E.M. - Nightswimming

Night swimming

Deserves a quiet night

The photograph on the dashboard

Taken years ago

Turned around backwards so the windshield shows

Every street light reveales a picture in reverse

Still its so much clearer

I forgot my shirt at the waters edge

The moon is low tonight



Night swimming

Deserves a quiet night

I'm not sure all these people understand

It's not like years ago

The fear of getting caught

The recklessness in water

They cannot see me naked

These things they go away

Replaced by every day

Nightswimming

Remembering that night

September's coming soon

I'm pining for the moon

And what if there were two

Side by side in orbit

Around the fairest sun

The bright tide that ever drawn

Could not describe

Nightswimming



You I thought I knew you

You I can not judge

You I thought you knew me

This one laughing quietly

Underneath my breath

Nightswimming

The photograph reflects

Every street light a reminder

Nightswimming

Deserves a quiet night

Deserves a quiet night

Solidão


solidão,
sozinho, só.
desprovido de alguém,
vestido de ninguém e
despido de todos.

Sim eu sei sou eu de um dos lados da porta...

Quem sou eu afinal? Que coisas tenho para apresentar?
Sinto que estou a mais, carregando o peso do mundo sobre os meus ombros. Procuro ocupar a minha mente com coisas que me preencham mas está difícil...
Esforço-me por conseguir deixar do outro lado aquilo que não interessa e que tanto mal provocou no passado e continua a provocar no tempo que se chama hoje. Sequidão de estio, amargo de boca, palavras mal medidas, comportamento destrutivo, intoxicação dos relacionamentos, detonar todos os projectos menos aqueles que me deram prazer efémero, intenso mas passageiro, assim fui eu em tempos não tão remotos assim.
E agora? o que se esconde por detrás da porta? Que coisas se apresentam para ser surpreendido nesta vida?
Procuro confrontar-me sempre que possível, pois não é fácil lidar comigo próprio. Deve ser porque sou tão "diferente" e a "diferença" encontra sempre razões para se confrontar ainda que muitas vezes sem sentido e sem conclusões.Encontro sempre forma de dar a volta a mim mesmo, afinal sou o rei da argumentação - (que mal que isto me soa) - e soa mal porque sei que é verdade. Convenso-me de que não tem mal e que no fim estará sempre tudo bem, correrá tudo bem...
Espreito pela fresta que se apresenta... procuro perceber o que se encontra do outro lado e sinto um misto de medo com curiosidade. O que estará lá? Valerá a pena correr o risco de ver? E se eu atravessar? Uma série de pensamentos sobre com o eu sou e me considero fazem-me sentir apreensivo por perceber que a escuridão em mim ainda olha para mim, latente e ansiosa por se revelar. Lembra-me que em tempos rebentei a porta com um pontapé e atirei-me para o lado de lá. Olho para ela e digo para mim mesmo que não sei... já não sei de mais nada. Queria ser diferente escuridão, queria ser capaz de uma vez por todas explodir em luz em cima de ti mas sou traído pelos meus olhos, sou traído pela minha carne, cometo traição contra mim mesmo e não encontro mais em mim forças para lutar. Mas escuta escuridão não levarás a melhor sem luta, mesmo que ela seja irreal e utópica, não levarás a melhor sem luta.
Assim sou eu de um dos lados daquela porta.

Jan 16, 2011

Se cuidas de mim – Tiago Bettencourt & Mantha


Se cuidas de mim eu…
eu cuido de ti também
Dentro da minha mão
eu guardo-te bem
Se amarmos do principio
se perdermos tudo outra vez
vou marcar-te bem
como um sonho vão
dentro da minha mão

Se cuidas de mim
eu cuido de ti também
Se vens em paz
eu venho por bem
Se formos bebendo o chão deste caminho
vou guardar-te bem
agora que sei
que não vou sozinho.

por isso vem…
Há uma praia depois sombra
uma clareira para iluminar
Há um abrigo no meio das ondas
tudo é caminho para iluminar
Por isso vem.

Grito - Polo Norte

Há alturas na vida
Em que se sente o pior
Como que uma saída
Refúgio na dor

E ao olhar para trás
Pensar no que aconteceu
O que se vê não apraz
Não gritou mas escondeu

E salta a fúria em nós
Rebenta o ser mais calado
Querer puxar pela voz
Mostrar que está revoltado

À espera o tempo a passar
A desesperar
Ganhar a coragem de gritar e gritar

E é nestas alturas
Sou eu mesmo que o digo
Repensamos na falta
Que nos faz um amigo

Alguém que nos mostre a luz
E nos estenda essa mão
Diga que a vida não é cruz
Olhar para trás pedir perdão

E salta a fúria em nós
Rebenta o ser mais calado
Querer puxar pela voz
Mostrar que está revoltado

À espera o tempo a passar
A desesperar
Ganhar a a coragem de gritar e gritar

Como é bom ser criança

Poder andar uma vida inteira sem saber bem o que se faz aqui, é porventura uma das maiores questões do Ser Humano, enquanto ser que pensa e que sente. Ter de enfrentar os rigores da transformação que ocorre algures entre o ser criança e o ser adulto, aquando da perda da inocência e da tomada de consciência que a vida é mais do que brincadeira e despreocupação... bem, é mesmo complicado ser adulto! Queria sempre ser criança. Poder jogar à bola na rua até às tantas, lutar contra os monstros imaginários quando se vai dormir, confiar que sempre estará tudo pronto pois alguém o fez por mim, acreditar que tudo sempre será uma eterna brincadeira. Nada de pancas, nada de paranóias, nada de convenções sociais, SOPA NAS CONVENÇÕES SOCIAIS. Ter como medos apenas não saber se aquela menina não vais gostar de nós, ah que bom é ser criança!!!
Passar horas a observar os bichos na Natureza, fazer xixi nos formigueiros, apreciar a beleza do vento a soprar nas plantas que cobrem o areal extenso da praia da claridade, sorver o ar e agradecer cada golfada que se dá, filtrando os odores agridoces que nos rodeiam. E os amigos? São o centro da vida quando somos crianças. São a extensão do nosso pequeno e frágil ser. São importantes, intocáveis até.
Cada dia é uma novidade quando se é criança, nada é uma mesmice, a não ser a escola claro. Esse sítio visceral e formatador que nos estraga umas horas de brincadeira. Só vale pelo recreio claro, aí sim não há nada como jogar à bola, subir às árvores e tentar perceber a complicada dinâmica de como se aproximar de uma menina... ah como é bom ser criança e fazer de tudo objecto de brincadeira.
Não gosto desta brincadeira de ter crescido... não quero mais brincar a isto. Vou dormir e esperar que isto passe durante a noite e amanhã, acorde e visto a bata para ir à escolinha.

Jan 9, 2011

Um qualquer desabafo

Um dia destes pensava no quanto gostaria de te ter do meu lado, conhecendo quem eu sou, os meus desejos e ansiedades. Olhares dentro dos meus olhos e veres quem eu sou na realidade. Não que eu aprecie particularmente de ser visto como sou. Ainda assim poder não gastar-me em esforços colossais para esconder o protagonista deste folhetim multicolor, de cheiros intensos e suaves e de sabor forte agridoce.
Dentro do meu quarto e de porta fechada imagino como seria se não tivesse mais que me esconder... sinto que não consigo conter as lágrimas e desfaleço diante do computador. A dor aperta-me o peito e sei que estou só. Estou só. Sozinho. Procuro escrever o que me vai na alma, mas está difícil. Que grande tonto eu sou por vezes. Levanto um pouco da capa que me cobre o coração e espero por aquele dia que há-de chegar, quando eu puder ser quem sou na realidade em um qualquer desabafo.