Feb 27, 2011

Sam Brown - Stop

Tão perto e contudo tão longe

É isso que sinto, tão perto e contudo tão longe.
Atropelo de pensamentos que não permanecem nem conseguem suplantar aquele que toma conta do meu ser, aquele que me ocupa a mente, aquele que me corta a respiração...
Tão perto e contudo tão longe é sentir que a vida se escorre por entre os dedos. Procuro viver intensamente cada momento que estou perto o suficiente para sentir o aroma inebriante da razão do meu sentir e senhora do meu pensar. Procuro ser intenso e imprevisível.
Tão perto e tão longe é sonhar com realidades virtuais, imaginárias e impossíveis de realizar. É sentir a angústia de saber que se caminha numa estrada sem bermas e dessa forma é não poder parar nem tão pouco estacionar. É almejar um momento de magia no qual tudo seria tão diferente...(...)
Tão perto e tão longe é sorrir diante das recordações dos momentos passados, agradáveis e doces. É sorrir dos momentos em que, corajoso, procurei roubar pedaços daquilo que não devia nem podia.
Tão perto e tão longe é sentir a frustração de viver a máxima de que não se pode ter tudo o que se quer... bah... como me angustia este conjunto de palavras...
Tão perto e tão longe é saber que no início via a imagem desfocada como que em um espelho baço, mas que a pouco e pouco foi possível vislumbrar a imagem correcta de uma alma gémea, sedenta e cuidadosamente guardada num jardim escondido e de acesso restrito.
Tão perto e tão longe é a maravilhosa sensação de privilégio por poder entrar nesse jardim escondido e nele poder passear, experimentando as delícias dos seus aromas e sabores.
Tão perto e tão longe é partilhar a pesada carga que se carrega sem ter medo da condenação ou do julgamento. É ter sonhos em comum. É descobrir coisas em comum. É sentir coisas em comum.
Tão perto e tão longe é olhar esses olhos e ver-me reflectido tal qual como sou, não como os outros me vêem, pois só vêem o que eu deixo eles ver. A tão perto e tão longe eu deixo ver tudo, pois tão perto e tão longe está comigo estando perto e estando longe, tão perto e tão longe conhece o meu coração, sabe quem eu sou.
Oxalá fosse diferente, penso por vezes. Oxalá pudesse ser de outra forma, ser de tal maneira que se abolisse o tão longe e passasse a ser somente tão perto. Muito perto, assim bem juntinho até perceber todos os detalhes dos olhos e da pele. Até ser somente o sentir o aroma doce da pele e frutado dos cabelos.
AHHHHHH caneco quão bom seria...
Mas sendo assim, vivo os momentos com intensidade, com fulgor, com transparência e verdade, tentado cativar tão perto a não estar tão mais longe.

Feb 24, 2011

Uma noite mágica antecede uma catástrofe



Uma certa noite húmida de verão, eu e mais 4 amigos fomos de noite, como íamos muitas vezes quase em jeito de romaria, em jeito de ritual, passear de carro à bela Serra da Boa Viajem. A serra é composta por uma imensa diversidade de espécies vegetais, verdejantes, luxuriantes; do alto da serra é possível ter acesso a paisagens inebriantes, observando a cidade da Figueira da Foz na encosta Sul e a extensão a perder de vista da costa recortada aqui e além por dunas altas e guardadoras de segredos, sendo meada pela foz do Mondego; na encosta Norte é possível ver a costa rectilínea a perder de vista, protegida pelas dunas não tão altas, mas também elas guardiãs de incontáveis segredos, e ainda pelo denso pinhal, que faz parte das matas nacionais.
A Serra da Boa Viajem é mágica. Naquela noite enquanto passeávamos entorpecidos pelos tóxicos sempre presentes nestas nossas andanças, as grossas gotas de água caíam das altas árvores e batiam no carro com ruídos típicos de uma noite daquelas. A noite estava escura, não se via nada para além da luz que o carro emitia. Parecia que mesmo essa luz não conseguia penetrar a escuridão dura daquela noite. Todos sentíamos algo diferente e estranho no ar.
De repente ao olhar para o interior da mata de eucaliptos centenários, tive a sensação de ver uma luz estranha, um ponto de luz pequeno mas intenso. Na loucura do momento mandei parar o carro e, alheio às críticas do pessoal :"'tás parvo? vais-te molhar todo!" eu entrei dentro da mata até ao ponto em que a luz do carro já não me conseguia impedir de ver na escuridão. Sei que parece um contra-senso. E de repente eu vi. De repente eu tive acesso a uma visão que levou aos limites a minha estrutura sensorial. Em meio ás gotas que me acariciavam o rosto eu vi milhões, sim, literalmente milhões de pirilampos voando em meu redor, em todo o lado, paravam em mim. De repente o espaço ao meu redor ficou iluminado com aquela luz esmeralda, concedendo um tom de magia maior àquela noite que de si já estava a ser especial. Gritei para o carro e chamei-os. Saíram a resmungar mas curiosos. O que juntos vivemos naqueles minutos que se seguiram nunca vou conseguir explicar e descrever de forma correcta. Foi mágico. Ao princípio falámos alto, expressámos o nosso espanto em meio a "Oh's" e "Uau's" "Olha aqui, olha aqui". Mas depois fomos ficando em silêncio até a um momento irreal em que desfrutámos daquela dádiva divina. Digo isto porque tenho a plena consciência que o meu Deus nos permitiu ver aquele espectáculo de rara beleza por um motivo.
Encharcados, vimos esta nuvem luminosa desaparecer mata adentro, para além das nossas possibilidades de locomoção.
Regressámos ao carro e permanecemos em silêncio durante muito tempo. Imagino que cada um de nós ainda estava a tentar acordar daquele sonho magnífico e colectivo. Cada um de nós estava a tentar se organizar depois daquele contacto. Foi mágico. Tantas vezes tínhamos estado na serra e nunca havíamos presenciado nada parecido.
No dia seguinte um grande fogo vindo do Norte queimou aquele lugar onde tínhamos estado na noite anterior, naquela noite mágica.

Feb 23, 2011

Algumas coisas ele tem razão, poucas mas tem...

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Gabriel o pensador "Até quando"

Feb 19, 2011

Velho amigo

Oh bom e fiel velho amigo, que saudades tenho de ti. Saudades dos tempos em que, sozinhos, partilhámos segredos; dos dias em que te observei, enfurecido, demonstrando a tua força e o teu domínio sobre a baía da Figueira.
Tenho saudades do teu cheiro intenso de maresia que me inebriava a alma e me transportava para incontáveis mundos e histórias de alegria e tristeza. Saudades das carícias que trocámos, da profunda paixão e respeito que partilhámos durante tantos anos e das quais bebo sedento sempre que tenho oportunidade de novamente entrar em ti.
Saudades dos momentos íntimos que tivemos juntos e dos conselhos sábios que me deste. Saudades da tua infinita paciência e prontidão em ouvir os meus lamentos e lamber as minhas lágrimas.
Ao teu lado aprendi a amar, dentro de ti aprendi a amar. Ao teu lado senti imenso prazer nas pessoas que conheci, nas mulheres que amei, nas asneiras que fiz... Fazes parte da minha vida, velho amigo, e, embora distante, trago marcado na pele o teu sabor salgado.
Ah aquelas noites mágicas em que a combinação certa dos ingredientes certos proporcionou momentos inesquecíveis... mar, areia, luar, relacionamentos...
Tenho saudades de ver a sol acordar no teu rosto e de o ver pôr nas tuas costas. Fazes-me bem, velho amigo.
Tenho saudades das madrugadas quentes em que a toque de álcool me recebeste com carinho e me envolveste com o teu toque suave e, juntos nos divertimos, iluminados pelo olhar invejoso da nossa amante favorita, a lua cheia... Que saudades, velho amigo.
Tenho saudades das loucuras que cometi, no ímpeto da juventude, quando subi e me lancei umas vezes corajoso, outras amedrontado, nas ondas imensas que proporcionas. Quando penso nas vezes em que estive tão perto da morte... De todas as vezes em que em plena bandeira vermelha me proporcionaste momentos mágicos. Lembras como todos nos olhavam em um misto de espanto e inveja? Ah, mas tu sempre me protegeste. Sempre soubeste o que eu queria, sempre me deste o que eu precisava.
É por isso que tenho tantas saudades tuas, velho amigo, porque sempre estiveste presente, sempre estiveste disponível, nunca falhaste, nunca me rejeitaste e acima de tudo sempre foste transparente comigo. Obrigado velho amigo pela tua generosidade. Obrigado pelo teu carinho. Obrigado pela tua amizade. Obrigado mar.

Feb 17, 2011

Há dias assim...

Há dias bons, dias menos bons e dias maus. Este dia foi mesmo mau.
Foi daqueles dias em que parecia que eu era um actor de um filme estranho, daqueles filmes do grande Manolel de Oliveira em que não se percebe nada e custa a chegar ao fim... Como é difícil gerir sentimentos quando se está condicionado. Olho para o relógio do computador que marca 22:31h e penso: "Fogo, este dia demorou eternidades até chegar aqui."
Tanto que se faz e parece que não há nada feito... Tantas pessoas na minha vida e parece que não consigo ajudar como deveria... Tantas solicitações e esta estranha sensação de que não estou a conseguir dar conta do recado...
Há dias assim...

Feb 16, 2011

Mesmo assim


Sempre acabo voltando na ressaca da onda.
Atiro-me de cabeça, com todas as minhas forças enfrento as vagas enormes e com ruído estrondoso, sou arremessado de novo para terra.
Não consigo ir mais fundo, este mar não me permite...
Mesmo assim exausto e ferido, acredito que sou capaz de passar a zona de rebentação, para além do quebra-mar, para uma zona mais segura e mais produtiva. Afinal o maior peixe encontra-se em águas profundas, os maiores desafios encontram-se nas águas mais profundas...
E mais uma vez atiro-me contra as ondas na esperança de as conseguir enganar. A corrente está forte e encontro-me sozinho. Se eu me afogar não há ninguém para me ajudar. Apenas o bater incessante das vagas que me fustigam o corpo, atiram-me de encontro ao fundo de coral. Sou cortado, espancado, moído mas não me dou por vencido....
Mesmo assim exausto e ferido, prepara-te ó mar, preparem-se ó ondas gigantes pois eu não tenho medo. Mesmo assim exausto e ferido de morte sei que vou conseguir passar por vós e chegar, enfim a águas profundas.

Feb 15, 2011

Musa do momento

Secret

You must know me
I'm one of your secrets
You must know me
I'm one of your secrets
I belong to you
I belong to you
And you belong to me

You must know me
I'm one of your secrets
From what I see
You're trying hard to keep it
Oh yes you are

Well I belong to you
I belong to you
I belong to you
And you belong to me

Look at me
I'm your heart's keeper
Meant for 3:21 AM
She will be here
Oh yes she will

And I belong to you
Yes I belong to you
I belong to you
And you belong to me

Look at me
I'm one of your secrets
From what I see
You're trying hard to keep it
Oh yeah

But I belong to you
I belong to you
I belong to you
And you belong to me
You belong to me
You belong to me

Feb 13, 2011

Gosto das tuas declarações

Cada Lugar Teu
Mafalda Veiga

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Feb 10, 2011

Musa do momento

Letting The Cables Sleep

You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost
Living your end
Never seem to get in the place that I belong
Don't wanna lose the time
Lose the time to come

Whatever you say it's alright
Whatever you do it's all good
Whatever you say it's alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
If heaven is on the way

You in the sea
On a decline
Breaking the waves
Watching the lights go down
Letting the cables sleep

Whatever you say it's alright
Whatever you do it's all good
Whatever you say it's alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
We'll wrap the world around it
If heaven is on the way
If heaven is on the way

I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town

If heaven is on the way
If heaven is on the way
I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town

Vida vs Morte

Não sei bem quanto a vocês, milhares de leitores assíduos deste modesto blog, mas eu tenho muita dificuldade com a morte. A concepção de que de repente perdemos alguém que de alguma forma nos é querido, mexe com os meus mais íntimos sentimentos e leva-me a um estado de desespero mais ou menos controlado, pois pensar que não terei mais oportunidade de poder estar com determinada pessoa é para mim um exercício por demais doloroso, ao ponto de me asfixiar.
O facto de já ter perdido pessoas importantes para mim, leva-me a reflectir sobre a vida. A Bíblia diz que melhor é ir à casa onde há luto do que na casa onde há banquete, pois ali se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração (Eclesiastes 7:2). A dor trazida pela perda de um ente querido é lancinante, de tal forma intensa que pode levar à loucura.
Por isso a vida é tão preciosa! Devemos investir em relacionamentos enquanto podemos, enquanto por cá andamos, porque depois não vale a pena a colocação de flores e mandar rezar missas de não-sei-quantos-dias porque depois de morrer, não há mais volta a dar. Eu, quanto a mim, queridos e imensos leitores, quero poder tratar de tudo para que não tenha de me arrepender do que não disse, do que deixei de fazer e podia ter feito, do abraço que não dei, do "Amo-te muito" e do "És muito importante para mim" que não disse.
Vamos dizer o quanto somos importantes uns aos outros enquanto podemos, enquanto cá andamos.

Feb 8, 2011

Divagação

Estou aqui mas não estou cá. Antes as horas demoravam a passar, agora o tempo corre e faz-se de noite em menos de nada. Olho ao espelho e penso que ainda sou um gaiato, apesar dos cabelos brancos e das primeiras rugas me denunciarem. Quero sempre sentir-me uma criança. Luto com as forças que me restam para permanecer incontaminado pela formatação da sociedade compreendida no local de trabalho, na igreja local, nos relacionamentos (não todos). Não acredito na máxima "Se não podes vencê-los, junta-te a eles." Para mim isso é mesmo uma mínima, mas daquelas bem menores, bem minimizadas. Eu sou como sou e acredito que o que importa é a proximidade e a profundidade que conseguimos (ou não) nos relacionamentos. Isso é que muda pessoas, o relacionamento próximo e genuíno, imaculado e incontaminado com os padrões de comportamento muitas vezes obsoletos e, desatractivos (se isso existe), tendentes a agradar as visões também obsoletas e auto-centradas, que não promovem a proximidade, mas antes empurra as pessoas (especialmente os jovens) para mais longe.
È por isso que amo tanto a Deus, pelo seu amor louco e incondicional por mim, que não olha a meios nem a estratégias para me manter perto dele e, em caso de afastamento, recorre ao mais profundo amor, carinho e acima de tudo, de se aproximar de mim.
Quero sempre ser assim.
Só tenho que ouvir as pessoas desformatadas que conheço e que reconhecem o verdadeiro valor da proximidade e do relacionamento extravagante.

Feb 7, 2011

O verdadeiro sucesso

"Como medes o sucesso?
Rir com frequência, e muito;
Ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afecto das crianças;
Obter a apreciação de críticos honestos e aguentar firme a traição dos falsos amigos;
Apreciar a beleza;
Descobrir o que há de melhor nos outros;
Deixar o mundo um pouco melhor, seja mediante uma criança sadia, uma situação social redimida, ou uma tarefa bem executada;
Saber até que outrem recebeu o sopro da vida só porque você viveu - isto é ser bem sucedido."

Ralph Waldo Emerson

O Verde

Vejo-o ao longe, é lindo.
A luz do entardecer esbate-se nas encostas dos montes que, apesar de escarpados, revelam um grande vinhedo, em socalcos perfeitos a perder de vista.
Sou invadido por uma sensação de paz.
Ouço o som das águias, altivas, voando em rodopio, circundando a parte cimeira dos montes.
O sol está a descer e a luz torna-se em um dourado escuro que adivinha o cair da noite.
Como será a noite?

Feb 6, 2011

Luís Cabaço:

Quero agradecer-te a forma espectacular com que impactaste a minha vida, foste de facto um modelo de homem a seguir. Lembro-me do dia em que te conheci, foste pregar à Castanheira e naquela noite disseste para orarmos por ti, pois o André iria viver com vocês. Achei-te estranho de aparência, mas incrivelmente calmo e amoroso. Aquele tempo na Castanheira estava a ser muito complicado para mim.
Fiquei tão feliz quando cheguei a Fanhões e tu me disseste que irias ser o meu conselheiro, o meu padrinho. Levaste-me à casa de saída onde o P P estava a trabalhar e conversaste comigo sem condenação. Eu não estava habituado a isso. Obrigado padrinho.
Lembro a paciência que tiveste comigo, a forma suave e firme como me corrigiste quando meti água. Hoje penso que me mostraste o que graça significa. Obrigado mesmo.
A forma como te comportaste sempre, foi um exemplo de vida para muita gente, mas sobretudo para mim. Lembro como trouxeste bálsamo e foste tão sábio ao lidar com a minha família quando me levaste a casa numa época em que a minha mãe se encontrava tão doente. Muito obrigado, Cabaço.
Lembro-me que descobri mais do teu coração em relação às pessoas a quem sempre te deste, no dia em que o F F abandonou o programa, depois de todo aquele investimento. Ficaste de rastos padrinho...
Sempre te senti disponível. Sempre te senti perto de mim. Sempre senti que podia confiar em ti. Nunca senti condenação da tua parte, mesmo sabendo que tiveste todos os motivos para o fazer.
Abençoaste tanto a minha vida, padrinho. Aprendi contigo, e mais tarde com o Raúl, que nunca devemos desistir das pessoas, especialmente das mais difíceis, pois nunca se sabe se estamos a perder uma oportunidades de ganhar um tremendo Homem de Deus.
As portas da tua casa sempre estiveram abertas para mim. Juntamente com a Carla e os meninos, vocês foram uma família para mim naquele tempo tão difícil.
Lembro-me do teu cuidado quando a minha mãe morreu, a tua genuína preocupação com a minha vida... Chiça, foste um grande homem, Luís.
Agora que partiste para um lugar melhor, penso nas tuas palavras e na forma como as viveste. Tomei para mim o teu lema: "sou uma pessoa contente mas não satisfeita".
Obrigado pelo que foste, és e continuarás a ser na minha vida, padrinho, amo-te muito muito.

Saudades


Feb 4, 2011

Noite após noite encomendo a mim mesmo a necessária viagem ao mundo da pena de mim mesmo.
Quero beber as lágrimas que derramo ao sentir que ninguém me entende. Sou difícil de entender.
Relaciono-me com quem me rodeia lutando para permanecer na área de segurança imposta pela sociedade e pelas regras que delimitam a impossibilidade de perceber em detalhe a fisionomia dos olhos dos outros. Quão bonitos são os olhos!!!
Preparo-me para mergulhar, quando sou relembrado que devo permanecer no trampolim, pois as coisas devem seguir um determinado rumo e devem seguir um determinado padrão de comportamento, eleito de forma a contentar-nos como gelados derretidos e pipocas que não estouraram. Sou entregue à frustração de viver uma realidade virtual, um mundo paralelo, um universo imaginário no qual me movo com facilidade e que me confere conforto e prazer.
E fico pensando que para mim muitas vezes a solidão não é um sentimento mas antes uma necessidade absoluta que me confere a capacidade de manter a sanidade mental e regressar ao real e ao concreto.
Faço do sonho um refúgio. Utilizo a mente como espaço apetecível para onde viajo sempre que a realidade se torna enfadonha e desinteressante. Um pensador, como diz o amigo Paulo Marques.
Embora doa
Klepht

É a dúvida que resta,
que me leva a perguntar...
Qual papel será o meu?
O de quem nada faz?

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

E revemos nas imagens que não passa de um esboço...
Escolhem os senhores da guerra os motivos a seu
gosto...

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar.

Porque nada surpreende.
Já vivemos com o medo.
Quem nos chama á razão?
Ao som de armas adormeço...

Embora doa, não me faz perder o sono.
Embora doa...

Escorre sangue pelo ouro em directo na tv
Explode a carne em mãos de quem nada fez

Embora doa, não me sujo desse sangue
Embora doa, há sempre outro canal

Embora doa...

Embora doa...
Não me sujo desse sangue
Embora doa...
Há sempre outro canal.

É a dúvida que resta que me leva a perguntar...

(...)


Feb 3, 2011

Perguntas

Se eu te desenhar um mapa, encontrarias o caminho para o meu coração?

Se deixar que o vento da manhã me leve, voarias comigo?

E se eu plantar um jardim, colherias as mais lindas flores?

E se eu tombar por não ter mais forças em mim, tomar-me-ias em teus braços?

Se eu me sentir sozinho, dispensar-me-ias algum do teu tempo?

Se eu me calar indefinidamente, terias paciência para mim?

Se eu gritar a dor que em mim há, servirias de bálsamo para mim?

Se eu disser que te conheço bem, acreditarias em mim?


Sem dúvida os meus favoritos




Abstracção

Entro em mergulho prolongado, sustenho a respiração até ter a sensação que os olhos me saltam das órbitas. Obrigo-me a mim mesmo a descer as 10 atmosferas que me separam do real e do concreto, pois desejo ficar no mais absoluto silêncio. Agora falta-me o ar... Sinto o sabor do sal nos meus lábios e percebo que provem dos meus olhos... Flutuo no vazio, estou no silêncio absoluto, a abstracção é total.

Feb 1, 2011

Musa da noite

Carta

Não falei contigo
Com medo que os montes e vales que me achas
Caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
Que a estabilidade lógica
De quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és...

Saudade é o ar
Que vou sugando e aceitando
Como fruto de Verão
Nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
Que num dia maior serás trapézio sem rede
A pairar sobre o mundo
Em tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste
Que o teu destino foi inventado
Por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
De sincronização do coração
São leis como paredes e tectos
Cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
Por cima de todos os teus números
Raízes quadradas de somas subtraídas
Sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
Um ciclo vicioso
Harmonioso ao teu gesto mimado
E à palma da tua mão...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.

Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos deuses...
Mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
Como refúgio dos meus sentidos
Pedaço de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...

...nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém...
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.
A mim... passou-me ao lado.

E se eu não te encontrar?

Por ti tenho procurado há tanto tempo. Estendo os meus braços na noite fria e escura, procuro por ti mas não te consigo encontrar, está difícil. Chamo por ti, chamo o teu nome e escuto, mas não obtenho resposta. Disseste-me que te poderia encontrar no jardim. Procuro por ti, sinto os ramos quebrarem-se por debaixo dos pés mas nada de ti, não te consigo ver.
Angustio-me por pensar que não te vou ver, que posso não te encontrar. Chamo por ti mais uma vez, onde estás tu? Onde estás tu?
Está escuro e ouço vozes... de repente ouço muitas vozes... não estou sozinho e peso que poderás estar no meio da multidão de sons vozes e procuro encontrar-te. Tantas vozes, tanta gente, mas não te encontro. Grito pelo teu nome, clamo por ti com intenso clamor mas nada ouço a não ser o ensurdecedor som do silêncio.
Corro com intensidade mas sem sentido, sinto que me perdi nesta busca por ti, não te consigo encontrar.
E agora? E se eu não te conseguir encontrar?

Grito da Alma

ah grito da alma que me consomes e segues,
ah grito escondido que tento ocultar
fornalha ardente, latente, presente
que tenho na mente
que dói e que sente
e me impede de andar

ah grito estridente, bonito e feio
ah grito entalado, no fundo da alma forjado
grito que me abafa o peito
que dói tanto e não me deixa pensar direito
que povoa o lugar onde me levanto e me deito
grito imenso, intenso e por demais pesado

ah grito amado e odiado
grito que ecoa cá dentro
ferida de fogo criada,
purulenta, ainda não está fechada
de dor e prazer ornamentada
grito, grito, mesmo que não queira tens sido o centro

ah grito invejoso, egoísta
ah grito ofegante, castrador
parceiro escondido
comparsa na bagagem embutido
és amigo odiado e querido
ah grito da alma, não sentes tu a minha dor?

Oh sim eu quero!!!





Sim eu quero muito





Divagação

Entendo que tudo o que tenho que entender nem sempre tem entendimento.